Espelho Meu
- Sandra Duarte

- 22 de set. de 2025
- 6 min de leitura
Atualizado: 10 de nov. de 2025
As pessoas são atraídas umas para as outras de acordo com a energia que vibram. Ressonância. É quando dois seres ou partículas estão na mesma vibração energética. É assim que somos atraídos para certas pessoas, lugares, situações, etc. Porque estamos em ressonância com isso. Porque a nossa vibração interna identifica-se com a vibração da outra pessoa, lugar, coisa. É como se as duas estivessem a vibrar a mesma nota musical. “A ressonância ocorre quando um campo responde por simpatia a outro e trocam energia entre si”. Estão na mesma frequência. Um é espelho do outro. Um exemplo muito claro é quando nós não gostamos de nós próprios, atraimos pessoas que também não gostam de nós. Quando passamos por uma rejeição é porque em nós vibra a informação energética de que não gostamos de nós próprios. Os outros apenas nos espelham isso. Se nós valorizarmos demasiado o dinheiro atraimos pessoas à nossa volta, que provavelmente têm muitos problemas de dinheiro e por isso o sobrevalorizam. Igual atrai igual.

Sabendo isto, podemos assim mudar a nossa frequência quando algo não está bem, mudando a nossa forma de pensar. Mudando isto, mudam também as emoções que alimentamos, muda a nossa vibração energética. Para que sejamos aceites, amados, começamos por nos aceitar, nos amarmos, em primeiro lugar. Alimentar emoções de apreciação por nós próprios. E as pessoas, coisas, circunstâncias mudam também.
Nada é fruto do acaso. Ao contrário do que parece, existe uma ordem invisível que liga tudo e todos e nos traz as lições necessárias à nossa evolução, no momento exacto, atraindo a pessoa, situação, lugar, coisa, exactos para chegarmos mais além. É como se houvesse um plano invisível para cada um de nós, e cada uma dessas lições contribui para esse plano.
Cada pessoa que encontramos na nossa vida é um espelho de nós. Cada uma reflecte uma parte de nós. Surge como uma oportunidade para nos conhecermos, para tomarmos consciência de quem somos. Tomarmos consciência de qualidades que temos, pensamentos, crenças, valores, traços de carácter, emoções, reacções, etc. E podemos aproveitar esta oportunidade para iluminar as partes de nós que ainda estão em sombra, que causam desconforto, desarmonia, que consideramos imperfeitas e imaturas, diferentes, sem amor, que não são compreendidas, aceites por nós.
Cada uma dessas partes em sombra pode ser egoista, manipuladora, ciumenta, se vestir de vítima, ser crítica e exigente, se isolar, criar muros, excessivamente emocional, possessiva, materialista, carente, excessivamente protectora, calculista, invejosa, etc. Podem existir muitas partes de nós por evoluir. Mas também existem partes de nós mais positivas mas das quais não temos consciência, tais como a nossa parte mais brincalhona, mais pura, o professor em nós, a mãe protectora, a parte corajosa, forte, confiante, inocente, líder, sábia, clarividente, amorosa, etc.
E o que consideramos imperfeito em nós pode ser igualmente variado, desde características físicas do nosso corpo a capacidades que temos ou não temos. Tudo depende do que nós ou a sociedade considera ser o padrão ideal. E tudo o que não satisfaz esse padrão é considerado imperfeito.
Uma parte da nossa evolução passa por
aceitarmos todos esses espelhos
à nossa volta, iluminar todas as nossas facetas através deles. Trazer à consciência as partes de nós que estão menos evoluídas e elevá-las para uma nova forma de ser. Reconhecer as partes de nós mais positivas e aceitar aquilo que em nós consideramos não ser perfeito, que está fora do padrão estabelecido pela sociedade, aquilo que é diferente, que pode não ser aceite pelos outros, aquilo que nos incomoda, ou que não é positivo. Só assim podemos evoluir o que ainda não está iluminado, isto é, as partes de nós que estão longe do coração.
Como é que podemos evoluir algo em nós que não aceitamos ser menos evoluído, que esteja em sombra, que não reconhecemos em nós? Como é que evoluímos isso quando rejeitamos essa parte? Fingimos que não a temos. Negamo-la. Escondemo-la de nós próprios.
O que acontece é que a nossa sociedade nos educou para sermos perfeitos, para atingirmos certos padrões. Isso criou em nós uma ansiedade para preencher esse papel. Mas não nos ensinou a aceitar estar fora desse padrão, a ser diferente, a aceitar aquilo que em nós ainda não é bom ou bonito, iluminado, evoluído. A olhar para tudo isso desapegadamente e ver isso como algo a ser reconhecido em nós e que precisa ser compreendido, aceite. A aceitar isso como uma experiência de aprendizagem também válida. Pois, por vezes, é através dela que se dá a verdadeira compreensão. Focou-nos em metas, objectivos, sucesso, mas não nos ensinou a aceitar as derrotas e a conviver com elas, a ultrapassá-las. A olhar para elas e a questionarmo-nos “O que aprendo com esta derrota? Porque passei por isto? O que a vida me quer ensinar com isto?”
O que acontece realmente é que ao não aceitarmos tudo aquilo que é menos bom ou menos bonito em nós, ou que nos torna diferentes dos outros, ficamos obcecados com isso, damos-lhe um espaço enorme na nossa vida. Identificamo-nos com isso. E a nossa vida passa a ser isso. Acumulamos raiva contra nós próprios, diminuimo-nos, escondemo-nos. E como não o enfrentamos, o assumimos e o aceitamos, isso surge sempre na nossa vida mais tarde ou mais cedo para nos incomodar, criar conflitos, desarmonia. E é por isto que cada pessoa que surge no nosso caminho vem nos mostrar isso em nós, o que ainda não está resolvido, aceite. É por isto que surgem os desconfortos, os conflitos, as desarmonias.
Se nós não aceitarmos o corpo que temos, atraimos as pessoas que criticam o nosso corpo, ou então somos reactivos a quem critica os corpos dos outros. Torna-se num assunto que nos incomoda e ao qual somos muito sensíveis. O pensamento que existe dentro de nós é reflectido nas pessoas à nossa volta. Elas dão vida ao nosso pensamento, vestem a sua pele. Tornam-se personagens do nosso diálogo interno. Como resolver isto?
Criar harmonia dentro de nós para que
haja harmonia fora de nós.
E esta harmonização passa por fazer paz dentro de nós, com o nosso corpo, característica, aquilo que em nós nos incomoda. Apreciar esta parte. Encontrar nela a sua beleza, mesmo que tão diferente da dos outros. E ao mudarmos a nossa visão de nós próprios, o nosso reflexo no espelho também muda. Perceberemos que aquilo que nos incomodava tanto em nós num determinado ambiente (grupo ou local), noutro ambiente (grupo ou local) nem dão tanta importância assim, e até pode ser motivo de grande apreciação.
Baseado na técnica Ho’Oponopono
"Eu sinto muito! Eu perdoo-te! Eu amo-te! Obrigado!"
É assim que iluminamos as partes de nós que ainda estão em sombra. Que ainda não evoluiram. Que ainda agem de forma imatura e desalinhada com o coração. As partes de nós que temos dificuldade em aceitar e que precisamos harmonizar.
A cada pessoa, coisa, lugar, parte de nós, que existe na nossa vida e nos causa desconforto, conflito, desarmonia.
Eu sinto muito! Eu sinto muito por te causar desconforto, por te magoar, por não saber expressar da melhor forma o meu amor por ti, por ter dificuldade em te aceitar, por não conseguir mostrar-te o meu lado mais elevado.
Eu perdoo-te! Eu perdoo-te pelo desconforto que me causas, porque sei que é a única forma de eu tomar consciência da parte de mim que precisa evoluir. Perdoo-te porque me ajudas a atingir o limite de que preciso para mudar de perspectiva, mudar de atitude. Perdoo-te porque através de ti, eu perdoo-me a mim próprio.
Eu amo-te! Eu amo-te porque reflectes a parte de mim que ainda é imperfeita, imatura, que não sabe ainda amar, que ainda está longe do coração. Eu amo-te e através do meu amor incondicional eu chamo essa parte de mim para o coração, para regressar ao caminho do Amor. Eu amo-te porque através de ti, eu aprendo a me amar em todos os aspectos.
Obrigado! Eu agradeço-te porque espelhas a parte de mim que ainda está em sombra. Agradeço-te por surgires na minha vida e me dares a possibilidade de reconhecer a minha sombra, de a iluminar, de a fazer crescer. Eu agradeço-te porque és a pessoa (coisa, lugar, parte de mim) certa, na hora certa, no lugar certo, para aprender esta lição. Através de ti, eu evoluo, eu ganho mais luz.




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