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Fases da Vida

Atualizado: 10 de nov. de 2025

Cada um de nós, à medida que vai crescendo, vai passando por várias fases, desde a altura em que estamos a ser formados no ventre da nossa mãe, à criança de 5 anos, à adolescência, à idade adulta, à terceira idade. Somos constituídos por várias partes que vão amadurecendo conforme as experiências por que vamos passando. Mas acontece que nem todas essas partes têm a mesma idade, isto é, nem todas correspondem à nossa actual idade.



uma mão de uma idosa e uma mão de uma criança


Há partes de nós que ficaram perdidas no tempo, que permanecem crianças ou adolescentes, com 3 ou 5 anos, com 16 anos, com 25 anos, etc. Porque isto acontece? Porque não conseguiram amadurecer, isto é, entender a experiência. Ficaram presas no tempo a uma perspectiva da qual não conseguiram sair. É por isso que na idade adulta, muitos de nós, sem dar por isso, temos reacções de criança. Ou agimos como adolescentes. Todos nós temos um pouco disto. Só quando fazemos um processo de desenvolvimento é que temos a oportunidade de reconhecer isto e ajudar esta parte de nós perdida a crescer.


Estas partes que estão presas podem existir desde o momento em que estavamos no ventre da mãe. A própria gravidez é já um processo de experiência para o ser que se forma. É aqui que começamos a ser programados pelos pensamentos e sentimentos da nossa mãe e do mundo à volta dela, como ela o percepciona. Nem toda a informação que recebemos é genética, uma outra parte é recebida pela vivência da nossa mãe. Os seus medos e inseguranças, as emoções e sentimentos que ela experiencia, o olhar dela do mundo, os seus pensamentos, etc, tudo é-nos passado nessa fase. O primeiro ser com o qual nos relacionamos, comunicamos, estabelecemos um elo, é a nossa própria mãe e é importante que isso se faça em boas condições. É aqui que vamos experimentar como é sermos cuidados, alimentados, amados, estar em segurança, ouvidos e entendidos. E é com ela que vamos aprender a cuidar, a alimentar, a amar, a dar segurança, a ouvir e a entender os outros.


O parto quando acontece é a primeira

das mudanças.


É aqui que nos preparamos para uma grande travessia e nem sempre é feita tranquilamente. As emoções e os pensamentos que a nossa mãe sente nesta fase são-nos passados e nos preparam para como vamos nos confrontar sempre que houver mudanças nas nossas vidas. Influencia também a forma como vamos lidar com a própria morte, dos outros e com a nossa. Se enfrentamos as mudanças e a morte com medo ou se confiamos, as aceitamos e nos deixamos fluir.


Na nossa infância nem sempre aceitamos bem o processo de aprendizagem. Cada um dos pais desempenha um papel na nossa vida. É com eles que vamos aprender a receber e a não receber, e isto nem sempre é feito equilibradamente. Quando nascemos na familia, toda a atenção é para nós. Habituamo-nos a receber amor através da dádiva do outro, da sua expressão de amor por nós. Mas nem sempre compreendemos quando nos é rejeitado algo, proibido, negado. E é aqui que muitos de nós ficamos presos. Não percebemos isso pois nos habituámos a ver amor no “dar” e não no “não dar”, na negação de algo. E vamos para a vida, crescendo a diversos níveis mas esta parte de nós que ficou presa àquela perspectiva que não entendeu, ficou com a mesma idade, imatura. E sempre que nos é negado algo, reagimos como uma criança com essa idade, choramos, fazemos birras. Qual a lição aqui? É aprender a ver amor na negação de algo, seja por alguém, seja pela própria vida. Qualquer negação de algo guarda no seu interior amor. É-nos negado algo que nos é prejudicial ou para o qual ainda não estamos preparados para receber. Só que estamos tão presos à associação de amor-dar, que não entendemos que amor-negação também é válido. Só quando percebemos isto, podemos nos pacificar com todas as vezes que nos foi negado algo, escolhendo ver amor em vez disso.


Muitos de nós não viveram a infância da melhor forma. Foram obrigados a crescer rapidamente, a ganhar responsabilidades cedo demais. E por isso, a sua parte de criança ficou por viver, sem experienciar, sem brincar. Inclusivé perderam o contacto com ela. Tornaram-se adultos sérios, responsáveis, que têm dificuldade em levar a vida de forma mais leve e brincalhona, e em fazer actividades de lazer para além do trabalho. Uma parte do seu processo passa por resgatar essa criança, fazerem as pazes com ela, cuidar dela, amá-la e deixá-la expressar-se criativamente, deixá-la brincar.


Expressar a nossa criança interna da melhor forma é o que nos torna felizes e de bem com a vida.


É quando temos a liberdade para sonhar, de criar estórias, reais ou não, de desenvolver o nosso lado criativo, o nosso lado mais espontâneo. É esta parte que muitos de nós precisamos de resgatar para desenvolver a nossa criatividade, que é o motor que nos permite superar obstáculos e ver o mundo numa nova perpsectiva, de forma mais optimista. Ajuda-nos a nos focarmos no presente, tal como quando eramos crianças em que o tempo não passava e os problemas pareciam não existir, ou quando existiam, facilmente eram ultrapassados e esquecidos. Uma boa forma de recuperar esta parte de nós é simplesmente brincar com crianças. Elas lembram-nos rapidamente desta parte perdida. Só assim podemos nos esquecer temporariamente de quaiquer problemas, abrindo caminho para a parte de nós mais criativa. Quando isto acontece, quaisquer problemas podem ser facilmente superados. O nosso lado criativo é a ponte para alcançar uma perspectiva mais ampla, capaz de visionar a saída de problemas. E para isso precisamos de aceder ao mundo do sonho, tão fácil para as crianças.


Na adolescência é quando passamos por diversas transformações físicas, psicológicas e desenvolvemos a nossa relação connosco próprios e com um novo grupo, que não a familia. É quando a nossa identidade se está a formar. Precisamos de descobrir e conquistar o nosso próprio espaço. É a fase em que precisamos de descobrir a nossa liberdade, e por isso, o ser-se rebelde faz parte do processo. É a altura de questionar quem somos perante a familia, os valores, crenças, conceitos que adoptámos dela. Perceber o que queremos levar para a vida, que aprendemos com os pais, e o que não aceitamos mais continuar a ser. É um processo de revolução interna e é quando surgem mais discussões no meio familiar, que nem sempre aceita esta nova faceta de nós. É um processo de separação, distanciamento da familia, para descobrirmos quem somos para além dela.


Quando esta fase não se processa da melhor forma, a parte de nós adolescente prolonga-se por mais tempo, isto é, fica presa no tempo, não amadurece.


Faz com que na idade adulta, continuemos ainda em busca da nossa própria liberdade e independência, do nosso próprio espaço, da nossa identidade. Atraimos relações de amizade e amorosas com pessoas mais novas que se identificam com essa parte de nós que ainda tem a idade deles, ou ainda podemos atrair pessoas que sentimos que limitam e restringem a nossa liberdade.

É muito importante para os pais perceberem o que se passa e darem a liberdade necessária para que os seus filhos se conheçam, experienciem a vida. Não deixarem de os acompanhar e orientar mas darem-lhes espaço para a descoberta de um novo Eu. Só assim poderão se tornar em adultos mais integrados e preparados para viver a fase seguinte.


Na idade adulta é quando estamos preparados para assumir compromissos e responsabilidades. É suposto sabermos o que queremos da vida, que projectos queremos realizar. É a fase de construção dos nossos sonhos, de definirmos estratégias para os realizarmos. Para que esta fase aconteça da melhor forma, seria bom que todas as outras fases anteriores estivessem amadurecidas, assimiladas, entendidas, resolvidas. Isto seria num mundo ideal. Não é o que acontece realmente. Só quando aceitamos fazer um trabalho interno connosco próprios e resgatar essas partes de nós perdidas no tempo é que é possível vivenciar a idade adulta de forma mais plena.


Na terceira idade já adquirimos algum distanciamento e sabedoria, já é suposto olharmos para a vida de forma mais desapegada e tranquila. É a fase da apreciação de tudo o que construimos. Mas também pode ser a fase em que nos arrependemos do que não se realizou, do que ficou por dizer, por fazer. Tudo depende de como se viveram as outras fases anteriores. É uma fase de aceitação e de pacificação interna com a vida que vivemos.


A forma como vivemos cada fase vai influenciar a forma como vivemos a nossa vida na idade adulta e como educamos os nossos filhos.


Se ficámos presos ao “não dar” e não aceitámos isto na nossa infância, provavelmente não nos permitimos a receber da vida, dos outros, e muitas oportunidades são desperdiçadas porque não nos sentimos merecedores delas, à altura das expectativas Ou podemos não saber rejeitar o que não é bom para nós porque queremos receber tudo de todos. Ou podemos tentar dar tudo aos nossos filhos, não entendendo que isso só os vai prejudicar quando se tornarem adultos, transformando-os em adultos frustrados e insatisfeitos.

Se ficámos presos à adolescência porque não conseguimos conquistar a nossa liberdade pessoal, podemos vir a ter dificuldade em criar ligações mais íntimas com os outros porque temos muita necessidade de espaço ou não saberemos dar espaço aos outros. Provavelmente vamos tentar ser amigos dos filhos, dando-lhes demasiada liberdade, tornando-os em adultos pouco responsáveis ou então, não lhes damos espaço suficiente para se descobrirem. Vivemos pelos extremos, adoptando uma posição numa determinada situação e o oposto noutra situação.


Quando libertamos estas partes de nós que estavam presas no tempo, as resgatamos, tomamos consciência delas e fazemos paz com a experiência, encontramos o meio-termo, o nosso ponto de equilíbrio, o nosso centro. Pacificamo-nos. Só assim nos poderemos tornar em adultos íntegros e coesos.

Viver cada uma das várias fases da nossa vida em pleno é essencial para a nossa realização interna, para o nosso sucesso e paz interior. Só assim poderemos olhar para trás e ficarmos satisfeitos connosco e com o que alcançámos. Só assim podemos chegar à nossa última fase e nos pacificarmos com tudo o que vivemos.


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