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Obrigado ou Grato

Atualizado: 10 de nov. de 2025


uma mulher com as palmas das mãos viradas para o céu


As palavras que usamos diariamente têm um poder enorme sobre a nossa vida. A maior parte de nós usa-as sem ter a consciência de que cada palavra possui uma energia associada a ela. Quando dizemos “alegria”, a energia da palavra é positiva, expansiva e transbordante, podemos até associá-la à cor amarela, e inclusive, podemos visualizar um padrão dinâmico, brincalhão ou um som de gargalhada ou ainda um cheiro de rebuçados. Cada um de nós vai associá-la aos vários sentidos humanos, de acordo com as experiências que teve, as interpretações que fez na sua vida.


Mas quando dizemos a palavra “esforço”, a energia da palavra é mais pesada. Podemos vê-la com a cor castanha. Podemos até nos sentir mais cansados e sentir resistência ao dizê-la. É uma palavra a que está associada uma dificuldade.

Podemos observar isso no nosso próprio corpo. Quando estamos alegres, o nosso corpo fica leve, movimenta-se facilmente, flui. Mas quando estamos a fazer algo em esforço, o nosso corpo torna-se pesado, rígido, as nossas acções são mais lentas.


Se tomarmos atenção às palavras que usamos diariamente, podemos reparar em como alimentamos a nossa energia diária. Se utilizamos muito palavras que tiram a nossa energia ou a alimentam. E esta utilização não se resume à comunicação com os outros mas também à comunicação connosco próprios, aos nossos pensamentos.


Quando usamos a expressão, “tenho de fazer isto ou aquilo”, está associada uma obrigação.


E tudo a que somos “obrigados a” cria em nós resistência, dificuldade ao fazê-lo. Não o fazemos com prazer e alegria. Se substituirmos essa expressão por “vou fazer isto ou aquilo” cria assertividade, acção e eficácia. Todo o peso e dificuldade desaparecem.


A utilização da própria palavra portuguesa “obrigado”, que utilizamos tão frequentemente no nosso dia-a-dia para agradecer algo, sem, no entanto, nos apercebermos que a energia associada à palavra em si não é tão positiva quanto parece. A energia associada à palavra é pesada, de esforço. “Obrigado” tem origem no estar em dívida com alguém por um serviço prestado, estar “ligado a” por um favor que alguém nos fez, estar-se “obrigado” a retribuir. Talvez desta forma a energia que se estabele entre duas pessoas não seja a melhor. A ideia de dívida entre duas pessoas cria um elo com uma energia mais pesada, que cria resistência, dificuldade. Mas se substituirmos essa palavra por “grato”, a energia que surge é bem mais positiva e leve porque estamos a vir do coração, do estar agradecido pelo favor. Não se fica “obrigado” a retribuir mas fica-se “agradecido” pela gentileza. A ligação entre as duas pessoas é através do coração e o agradecimento é vivido com prazer e não por obrigação.


Existem muitos exemplos, é só estar atento. As palavras que usamos têm um poder tão grande sobre nós e sobre os nossos estados de espírito que influenciam toda a nossa atitude perante a vida. O uso frequente da palavra “obrigado” cria em nós uma atitude de fazer tudo na vida por obrigação e não por prazer. E não só nos afecta a nós mas também exigimos dos outros e da vida essa obrigação. É importante reconhecer que ninguém é obrigado a nada. Cada um é livre de retribuir como sentir que deve fazê-lo. Quando percebemos isso, tudo o que surge na nossa realidade torna-se num presente. E tudo o que damos aos outros é sem expectativa de retorno. É dado com o coração. O próprio acto de dar alimenta o coração mesmo quando o outro não nos retribui. Entramos numa nova forma de dádiva, livres de qualquer obrigação. O prazer é vivido do próprio acto de dar. É aqui que vivemos a generosidade. Ser generoso com o outro é dar ao outro sem qualquer expectativa de retribuição. E a dádiva vai muito para além das coisas materiais. O próprio acto de perdoar (“forgiving” em inglês, “for-giving”, traduzindo à letra para português é “para dar”) alguém indica generosidade. Dar ao outro a possibilidade de errar, de ser imperfeito. Neste estado damos liberdade ao outro mas também a nós próprios, libertamo-nos de qualquer mágoa que possamos ter, pois é a mágoa que nos impede de perdoar. Não só somos generosos para com o outro, mas também para connosco próprios. Dar ao outro é darmo-nos a nós próprios.


Quando passamos a viver a nossa vida numa atitude de agradecimento, o mundo muda à nossa volta pois tudo o que nos acontece, desde o momento em que acordamos até ao momento em que adormecemos, vivemo-lo com gratidão. Esteja um dia de sol ou de chuva, qualquer gesto, um sorriso, um olhar, uma palavra, qualquer coisa que nos aconteça, mesmo quando aparentemente é menos boa, ao estarmos numa atitude de agradecimento, ficamos abertos, receptivos, positivos e ao nível do coração. Neste estado, conseguimos ver para além das aparências e ter uma perspectiva superior das situações. Compreendemos as lições por que passamos, mesmo quando difíceis, pois tudo é amado neste estado, o bom e o mau. Percebemos que o mau também é uma grande aprendizagem, pois faz-nos tornar mais fortes para o superar. E é, por vezes, por esse caminho que a vida nos faz parar para ganhar consciência de algo que até àquele momento não tinhamos percebido. Realinha-nos para voltar ao caminho do coração, através do ganhar consciência.


Estar grato é uma aprendizagem diária. Coloca-nos numa nova perspectiva, mais ampla, de braços abertos para o mundo.


Torna-nos mais humildes. Percebemos que o mundo não gira à nossa volta, e que este não tem de realizar todos os nossos caprichos. Deixamos de estar ao serviço do nosso ego – aquela parte de nós que ainda é uma criança mimada, medrosa, insegura e insatisfeita, que quer que todos os seus desejos sejam satisfeitos. Pacifica-nos connosco e com a vida em geral. É nesse estado que se estabelece a verdadeira união com o universo, com o divino.


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um aperto de maos
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