Emoções: Amigas ou Inimigas?
- Sandra Duarte

- 13 de out. de 2025
- 5 min de leitura
Atualizado: 10 de nov. de 2025
O que são as emoções? Qual o seu objectivo? Como lidar com elas de forma saudável?
As emoções são como um termómetro. Dão-nos informação do estado em que nós estamos, se estamos centrados, equilibrados ou não, se estamos a ver uma situação a partir de uma perspectiva positiva, que nos faz sentir empoderados e bem connosco próprios ou não. Mostra-nos onde está o nosso foco. Se estamos alinhados com o nosso coração ou não. Elas reflectem o nosso estado de alma. Ajudam-nos a ter consciência do quanto estamos perto ou não do nosso verdadeiro Eu.

Podemos ver uma relação entre o nosso estado emocional e o estado do tempo. Quando está sol, são dias positivos, que nos fazem querer sair de casa, conviver com os outros, partilhar, nos divertir. É exactamente o que acontece quando estamos num estado emocional mais positivo. Sentimo-nos alegres, confiantes, ligamo-nos aos outros, saimos da nossa concha.
Mas quando estão dias carregados com nuvens e chuvosos, são dias mais negativos, pesados, apetece-nos ficar em casa, recolhidos, sentimo-nos mais carentes emocionalmente. O mesmo acontece quando estamos mais negativos. É como se as nuvens emocionais nos desconectassem do nosso sol interno e perdessemos a nossa ligação com os outros, connosco próprios, porque nos distanciámos do nosso centro. A nossa confiança esmorece e é necessário o recolhimento para voltarmos a nós mesmos, para nos alimentarmos emocionalmente. Voltar à nossa casa interna, para nos aconchegarmos ao nosso Eu, para ouvir o nosso coração.
Cada emoção informa-nos onde está a nossa atenção, para onde vai o nosso foco. Se estamos alegres, estamos a apreciar o momento, o agora, satisfeitos com a vida que temos. Se estivermos nostálgicos, estamos focados no passado e a dar atenção ao que já foi, ao que já não está presente. Podemos sentir isso como uma perda de um momento importante. A paixão é quando nos sentimos motivados, quando algo nos desperta, nos dá vida, nos excita, nos dá foco e direcção. A depressão é quando há perda de paixão, entusiasmo, foco e direcção. Surge num acumular de emoções que não foram libertadas e conscientizadas. A pessoa não tem objectivos de vida, foco e fica paralizada, sente-se à deriva. A ansiedade vem do desejar que o sonho se materialize rapidamente, do não aceitar a lentidão e o processo natural das coisas, do querer viver o amanhã no momento presente. O medo vem do sentirmos insegurança e falta de confiança em certas situações ou em nós próprios, de não termos a capacidade de ultrapassar certas situações. Surge quando nos sentimos ameaçados e em perigo, podendo este ser real ou não. Estamos a pisar em terreno desconhecido, sem conseguir definir a situação. Surge da necessidade de seguir com cautela. A inveja é quando estamos focados no outro e não em nós próprios, quando nos comparamos com outros, os sobrevalorizando, não reconhecendo o nosso valor. A mágoa é quando acumulamos dor e sofrimento em relação a alguém ou a uma situação. Surge quando não conseguimos ver o amor presente numa determinada situação ou comportamento de alguém para connosco, quando uma pessoa não se comportou de acordo com as nossas expectativas dela.
Gratidão é quando apreciamos e valorizamos aquilo que recebemos, reconhecemos a sua importância.
A seguir está um exemplo de como a vida actua sobre nós através das nossas emoções quando quer que mudemos de direcção ou de atitude.
A raiva é a primeira reacção instintiva que temos quando surge um impedimento na direcção em que vamos e é despoletada porque algo que não está a acontecer como queremos. Aquilo que está a acontecer não está de acordo com a nossa vontade e temos dificuldade em aceitar isso. Surge do querermos controlar as situações e de acharmos que a nossa vontade é que está certa. É quando acontece algo que nos trava e a energia que usamos para agir numa direcção fica bloqueada e precisa ser libertada e dissipar-se para se dar a paragem total. A frustração acontece no seguimento da raiva, com o objectivo de fazer esta perder a sua força. Surge de tentativas falhadas quando não aceitamos a travagem, quando há resistência, e tentamos repetidamente ir na mesma direcção. A tristeza surge antes da aceitação. Indica que a situação está fora do nosso controlo. Que não conseguimos ter controlo sobre o rumo dos eventos. Sente-se perda, derrota em relação a uma situação. Não encontramos uma solução. Surge quando o objectivo a que nos propomos não se realiza e deixamos de criar resistência para com a mudança. A aceitação é quando fazemos paz interior com uma determinada situação e aceitamos mudar de rumo, mudar de comportamento. Rendemo-nos a uma vontade maior.
Todas estas emoções que surgem são baseadas em pensamentos, crenças, etc, que temos da vida. Quando negativas, elas mostram-nos que uma perspectiva não está alinhada connosco, com o nosso Eu, com o nosso coração. E isso impede-nos de fluir com a vida. Faz-nos criar resistências.
A carência emocional existe quando estamos desequilibrados emocionalmente, quando há falta de emoções positivas que nos fazem sentir bem connosco. Quando isto acontece temos tendência para ir buscar nos outros este alimento emocional e exigimos mais do que aquilo que eles podem nos dar. Cria dependência dos outros, como se fossemos uma criança que ainda depende da mãe, e que não sabe se alimentar sozinha.
Ganhar maturidade emocional é aprender a nos alimentarmos emocionalmente sozinhos, responsabilizando-nos pelas nossas necessidades emocionais.
Para isso é preciso percebermos que emoção nos faz falta naquele momento e encontrar uma forma de a sentirmos. Dependendo do tipo de emoção que nos está a fazer falta, da qual carecemos, iremos descobrir uma forma de nos preenchermos com essa emoção, dedicando-nos a algo, seja trabalho, actividade, que nos traga isso. E para cada um de nós essa emoção é alimentada de forma diferente. Se nos sentirmos deprimidos, precisamos de descobrir a nossa paixão na vida, olhando para os temas que nos entusiasmam, que nos despertam interesse. Para alguns pode ser conviver com animais, adoptando um ou fazendo voluntariado em associações que ajudam animais. Para outros pode ser fazerem uma actividade física, estar na natureza, ou ainda, criar o seu próprio negócio.
Se nos sentimos tristes, precisamos de descobrir actividades que nos deixem alegres, que nos façam rir, tais como ver uma comédia, brincar com crianças, fazer uma “silly dance” (dançar de forma pateta), fazer algo que desperte o nosso lado mais espontâneo, brincalhão e infantil.
Saber gerir emoções é uma aprendizagem. O segredo não é evitá-las quando são emoções negativas pois é necessário vivenciá-las também. O segredo é enfrentá-las e actuar sobre elas logo que elas surgem, ganhar consciência do que elas estão a querer nos dizer, perceber que pensamentos as alimentam e transformá-los.
As emoções podem ser as nossas maiores inimigas quando se excedem pois assim perdemos qualquer controlo sobre elas e estas passam a dominar a nossa vida, escravizando-nos. Dessa forma, perdemos o nosso poder pessoal. O importante é ir à origem e perceber os pensamentos que desencadeiam essas emoções.
Mas também podem ser as nossas maiores amigas porque vão nos mostrando a cada momento se estamos a ser verdadeiros connosco próprios, se estamos a ter pensamentos positivos ou não, que nos fortalecem ou enfraquecem, se estamos a ter poder pessoal ou não.
Ao ganhar responsabilidade sobre as nossas emoções e saber nos alimentar a nível emocional correctamente ganhamos maior qualidade de vida, um maior bem-estar connosco próprios e desenvolvemos uma melhor relação com os outros, mais equilibrada.




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