Seja um Rei ou Rainha
- Sandra Duarte

- 8 de set. de 2025
- 4 min de leitura
Atualizado: 10 de nov. de 2025
Seja um Rei ou Rainha. Nada menos do que isso.
Que significa isto? O que é ser Rei ou Rainha da nossa vida? É ser a nossa própria figura de autoridade, governarmos a nossa própria vida, tomarmos as nossas próprias decisões, assumirmos a responsabilidade das nossas escolhas. É não deixar que outro tome o controlo da nossa própria vida.

Grande parte de nós vive sem qualquer poder pessoal. Entregando aos outros toda a responsabilidade de tomar decisões, fazer escolhas, etc. E por isso vivemos de cabeça baixa, sendo escravizados pelos outros. Colocando nas mãos deles o ceptro que nos pertence, o nosso próprio poder. Tomamos decisões dependendo do que o outro pensa, sente, em vez de as fazermos estando em contacto com os nossos sentimentos, observando as nossas emoções. Porque elas nos mostram como está o nosso poder em relação aos outros.
Quando vivemos uma vida sem qualquer poder pessoal, baixamos a cabeça em relação ao outro, ficamos dependentes do outro. O que o outro diz, pensa ou sente está em primeiro lugar quando tomamos as nossas decisões. E se o outro também não assumir o seu poder pessoal e depender dos outros, torna-se numa sucessão de entrega do poder pessoal. O poder pessoal de cada um está sempre na mão do vizinho.
A maioria das pessoas vive assim, sem qualquer poder pessoal. Colocando na mão dos outros, no que está fora de si, o seu poder pessoal, a chave da sua própria vida. Achando que tudo depende dos outros, de situações que acontecem fora de si.
Nesta crise que o mundo atravessa, quantos se encostam, dizendo que não vale a pena fazer nada devido à crise. Estão a colocar o seu poder pessoal fora deles próprios. E se mudassem esta perspectiva?
E se agarrassem o seu ceptro de poder pessoal
e assumissem: a crise existe mas eu posso superar a situação. Como? Desenvolvendo a criatividade para abrir novos caminhos. É no mundo criativo, de novas ideias, que está a solução para se ultrapassar qualquer obstáculo. É pensar positivo, reconhecendo que podemos mudar alguma coisa, e ver novas possibilidades onde antes não conseguiamos ver. Porque elas sempre estiveram lá, nós é que não as viamos devido ao nosso próprio pensamento negativo. É esta mudança de perspectiva que precisa acontecer. E com isso, recuperamos o nosso poder pessoal.
Nas relações de qualquer tipo, familiares, de amizade, amorosas, também perdemos o nosso poder pessoal para outros. Confundimos amar com entregar o nosso poder pessoal. A imagem que está associada a isto é “Entregar o nosso coração ao outro porque o amamos”. Entregar o nosso coração ao outro é perder o nosso poder pessoal porque o nosso coração é o nosso centro de amor, é onde podemos nos amar a nós próprios e aos outros, é a nossa fonte de amor. Quando o entregamos, perdemos a capacidade de nos amar e nem sempre o outro tem a capacidade para devolver esse amor. Para isso era preciso que o outro fosse um ser elevado e puro, sem quaisquer menos boas intenções. Amar não é perder o nosso poder pessoal. Quando realmente sentimos amor, sentimo-nos poderosos. O outro alimenta o nosso poder pessoal, não o tira. É assim que podemos distinguir o verdadeiro Amor. Quando estamos com alguém que nos faz sentir o nosso próprio poder, é quando somos realmente amados. E aqui não há lugar para qualquer tipo de chantagens emocionais. A chantagem emocional é falta de poder pessoal. Exige-se do outro o que nós não temos, que é poder pessoal. Porque também o entregámos a outro.

Quando nos preocupamos muito com o que os outros pensam, estamos a dar-lhes o nosso poder pessoal. Ficamos aprisionados, limitamo-nos, calamo-nos. Não somos seres livres. Vivemos aprisionados com as algemas que aceitámos que os outros colocassem em nós. Enquanto dermos espaço para o que os outros pensam, não estamos a ser donos da nossa própria vida. Estamos a ser fantoches movidos pelas mãos dos outros.
Quando nos sentimos vítimas de situações, de pessoas, não estamos a assumir o nosso poder pessoal. Só somos vítimas porque nos colocamos no lugar de vítimas, mais abaixo do que os outros. E quando isso acontece é porque os outros têm um lugar superior a nós na nossa própria vida, colocamo-los num pedestal. Isto acontece porque não estamos a conseguir ver o nosso próprio valor, a reconhecer o nosso próprio poder, a assumi-lo. Não estamos a gostar de nós. Não temos auto-estima.
Mas quando assumimos o nosso poder pessoal nos sentimos poderosos na vida, brilhamos como um Sol, expandimo-nos, nos damos aos outros. Sentimo-nos amados. Tudo é possível neste estado porque a confiança está em nós. Nós acreditamos em nós mesmos, mais do que nos outros. E neste lugar, o que os outros dizem, pensam ou sentem, passa a ter um segundo lugar na nossa vida. Não deixamos de os ouvir, mas ouvimo-nos primeiro. Valorizamo-nos primeiro.
Valorizamos primeiro o que sentimos.
Porque é no nosso coração que vamos obter sempre as respostas para tudo na nossa vida. É no coração que recuperamos o nosso poder. É ele que tem de estar no centro da nossa vida, não os outros.
Se conseguissemos nos imaginar como Rei ou Rainha da nossa vida, assumindo a nossa coroa e o nosso ceptro, o que faríamos? Que decisões tomariamos? Que escolhas fariamos? Qual seria a nossa perspectiva do mundo, dos outros, a partir deste lugar mais elevado em relação à nossa própria vida?




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